segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Jovens infratores necessitam ainda mais de educação

A escolarização é dever do Estado para com a sociedade. A privação da liberdade do adolescente pelo poder judiciário, ou seja, interná-lo na Fundação Casa (antiga Febem), em nada altera esse dever. Quando um jovem fica interno constitui unicamente na privação do direito de ir e vir, ficando preservados os demais direitos da pessoa humana.

Contudo, existe um planejamento escolar na Fundação Casa, ministrados por professores da rede estadual de ensino. Mas, como esse sistema é precário, há muitos problemas na educação desses jovens. Após uma rebelião, os internos ficam confinados durante uns 15 dias, afastando-se das salas de aulas. Infelizmente esse afastamento é cotidiano e normal, pois as unidades não oferecem estrutura mínima para a prática de ensino.

Em 2003 o educador físico Henrique Sanioto lançou um desafio para as autoridades da Fundação de Araraquara: iniciar um projeto de ginástica geral para os internos, envolvendo esportes, teatro, música e dança. Esse movimento alternativo obteve resultados positivos, o grupo hoje consegue autorização judicial para fazer apresentações fora da instituição, antes somente era feito dentro da Febem, aos seus familiares. O grupo se apresentou na 19ª Bienal Internacional do Livro, circulando livremente, sem algemas. Os adolescentes não causaram nenhum tipo de incidentes nas várias saídas. Segundo Sanioto a auto-estima dos jovens cresceu e houve uma melhoria no comportamento. Muitos artigos da Lei de Diretrizes e Bases não saem do papel.

Temos que apreciar e incentivar projetos como esse. Pessoas dispostas a reverter o quadro social do País devem ser admiradas. Porém, não devemos esquecer que a educação é papel do Governo para com a população, devemos reivindicar por uma melhoria e transformação educacional. “Os do poder” deveriam se preocupar mais com a construção de pessoas do que com a de prédios.

4 comentários:

Wilson Trambini disse...

É essa a linha principal para se começar, Eu também acredito que é esse o caminho para que consigamos obter sucesso a certos grupos menos favorecidos ou que não obtiverão qualquer incentivo, agora Eu aproveito para deixar uma pergunta. Como seria possível chegarmos a esse grupo sem medo ? Qual o caminho que devemos tomar já que as próprias escolas pouco oferecem incialmente, haja vista, que a nossa política tributária ela já está errada ? É uma situação na qual quanto menos Educação mais fácil é manipular... essa é a impressão que fica. Existe é muito interesse político atráz disso, um país rico como o nosso era para ser assim ....

Zigolino disse...

Dever do governo?
é de se discordar pois ele teve possibilidades de não entrar nesse caminho.
Portanto é dificil fazer com q o governo o retrate.
bom texto miguel

Bruna Gonçales disse...

O Governo tem que fornecer oportunidade de desenvolvimento à todo cidadão. Seja ele "marginal" ou não.
A marginalidade é reflexo de um contexto social abalado. Quando a base não sustenta, o que cresce encima, desmorona.

DDZ disse...

Concordo no fato de que ocorra algum medo para chegar a esses adolescentes infratores por meio dos educadores. Porem, acredito que ao escolher essa carreira deve-se se preparar para encarar essa realidade. Se dedicar e conhecer o mundo deles e tentar assim algum afeto, pois é o que precisam. Mas, não existe uma preocupação por parte do Governo em transforma isso. Se o sistema prisional aqui no Brasil fosse sério e competente refletiria aqui fora. Pois muitos que entram lá, voltam diversas vezes. O porque disso é que lá e na antiga febem tornaram-se colegios e faculdades do crime. Um adolescente que fica confinado 2 anos em um mundo em que o mais forte é o sangue no zoio, tenta torna-se o proprio, para se fortalecer e ganhar poder entre os companheiros, esquecendo totalmente na vida pós confinamento. E o futuro prospero de uma pessoa esta na educação e não segurando em uma arma. Como diz a musica do Rappa´, "também morre quem atira".